O antropólogo como “traditore”: Etnografia, Religião e o dilema de relativizar o Absoluto

 Por Cleonardo Mauricio Junior

 

Traduttore, traditore (tradutor, traidor) – expressão popular italiana

Não sei se você já presenciou, seja em uma conversa entre amigos, no ônibus ou na rua, alguém afirmando que religião não se discute. Quando estou presente no momento em que é lançada esta pérola dos ditados populares, não hesito em pedir ao autor do disparate o obséquio de não contribuir para encerrar de vez as expectativas deste (projeto de) antropólogo, aspirante a se especializar no estudo das religiões, de conseguir o emprego que ainda nem sequer possui. Nas ciências sociais, e na antropologia especificamente, religião se discute sim, e há muito tempo. Desde Morgan, Tylor, Frazer com o seu ‘Ramo de Ouro’, Malinowski, Durkheim com suas ‘Formas Elementares ’, Evans Pritchard com seus Azande, até a última edição de alguma revista acadêmica reconhecida que trate do tema. Se falarmos de filosofia, então, vamos perceber que isto se discute ainda há mais tempo. Enfim, se Shakespeare disse haver mais mistérios entre o céu e a terra do que toda a nossa vã filosofia, eu digo que a relação entre os da terra e o céu, meu caro, encerra muitos mistérios mais, e sobre eles se reflete desde que o homem fez o primeiro esforço para tentar compreender tudo que o circunda. No que diz respeito à antiguidade do debate sobre a religião quando falamos da reflexão do homem sobre ele mesmo, e que ela se discute (sim!!), já o sabemos (afinal, vocês se matricularam nesta disciplina pra isso). O que quero trazer aqui, na verdade, é uma reflexão acerca de uma das peculiaridades concernentes ao trabalho de campo que aborda o fenômeno religioso: o dilema que assola quem pretende traduzir o Absoluto da crença de um fiel no idioma relativo da Antropologia. Antes, porém, quero situar o estudo do fenômeno religioso nos preceitos mais amplos da metodologia antropológica. Vamos lá.

Ajuda-me muito pensar a religião através do modelo fornecido por Geertz, que a define como um sistema cultural, ou sistema simbólico. O próprio conceito de cultura (em geral), para este autor, é o de sistema simbólico: teias de significado que o próprio homem teceu e a elas está preso (no sentido de não poder viver, e mais, nem sequer ser humano sem elas). Enfim: Cultura, diz ele, “é um padrão de significados transmitidos historicamente, incorporado em símbolos (daí o ‘sistema simbólico’, entendeu?), por meio dos quais os homens se comunicam, perpetuam e desenvolvem seus conhecimentos e suas atividades em relação à vida” (GEERTZ, 1989, p. 67). Mas aí você, sagazmente, vai me dizer: Mas então, se os dois são sistemas simbólicos não há nenhuma diferença entre o conceito de cultura e o de religião? E eu respondo:  Você não foi o primeiro a pensar nisso (e, acredite, quase nunca é). Marshall Sahlins (2002) explica que, para Geertz, a religião é a epítome (síntese) da cultura e abrange, quando se trata principalmente de uma sociedade tradicional, praticamente todos os elementos culturais existentes (valores, ethos, moral, cosmovisão, costumes, etc). Nas sociedades modernas este epítome passou a ser a ideologia (também um sistema cultural/simbólico para Geertz), tendo a religião perdido espaço e proeminência na tarefa de ditar a visão de mundo dos indivíduos (mas isto, a secularização, é outra discussão que teremos mais na frente).

A tarefa do antropólogo ao fazer sua etnografia é, portanto, interpretar estes significados e proceder com uma “descrição densa” deles, sendo a Antropologia, não uma ciência explicativa em busca de leis (como pensavam os chatos dos evolucionistas e como pensam outros cientistas sociais tão chatos quanto), mas uma ciência interpretativa em busca do significado (lembram-se das piscadelas? Se não tem noção do que eu estou falando, corra e leia imediatamente o primeiro capítulo de ‘A Interpretação das Culturas’).  Em suma, para Geertz, “o que o etnógrafo enfrenta de fato é uma multiplicidade de estruturas conceituais complexas, muitas delas sobrepostas ou amarradas umas às outras, que são simultaneamente estranhas, irregulares e inexplícitas, e que ele tem que, de alguma forma, primeiro apreender e depois apresentar.” (GEERTZ, 1989, p. 7, grifo nosso). Por correspondência, é isto o que devemos fazer ao tentar entender uma religião, um fenômeno religioso: Apreender as nuanças de seu sistema simbólico para depois traduzi-lo em uma linguagem acadêmica, apresentando-o aos nossos pares (em congressos, artigos, trabalhos de faculdade, blogs!) contribuindo, no que diz respeito à sociedade mais ampla, para dar fim à perplexidade que se tem diante do Outro, do diferente.

Esta dupla tarefa de apreensão/apresentação, porém, não é tão simples. Navegar pelas densas camadas estratificadas de significado que compõem um sistema cultural, e no nosso caso, um sistema cultural religioso, demanda trabalho muitas vezes árduo. Nos dizeres de Geertz, “fazer etnografia é como tentar ler um manuscrito estranho”.  E esta história de tentar ler um manuscrito cabuloso remete ao trabalho do tradutor, o que, por sua vez, nos leva ao ditado popular italiano que escolhi como epígrafe deste texto: traduttore, traditore. Não é possível, segundo esta expressão, fazer traduções de um idioma a outro sem perder algo do sentido que havia na língua original, sem trair em alguma proporção o significado primevo do que se quer expressar. Traduttore, traditore. Por exemplo: Você pode até ser um Drachenfutter convicto, mas vai penar ao traduzir (em uma só palavra) para o português esta expressão alemã utilizada para designar o marido que chega em casa com um presente para a esposa, acompanhado, claro, de uma desculpa esfarrapada, por ter chegado tarde em casa. Mais difícil ainda deve ser expressar corretamente o termo coreano Jung, um sentimento profundo, mais forte que o amor, só passível de ser vivenciado quando se sobrevive a uma grande discussão. Traduttore, traditore!! Se o trabalho do etnógrafo se assemelha ao de um tradutor, somos todos nós, antropólogos (e os projetos de antropólogos também), traidores em alguma instância. Sabemos que não se pode apreender os elementos de uma cultura em sua totalidade. Somente o nativo está pleno das categorias de entendimento pertencentes àquele sistema simbólico. Internalizamos o que os nativos nos dão a oportunidade de apr(e)ender. E é isto que apresentamos aos nossos pares em nossa labuta acadêmica (interpretações de interpretações, diria, mais uma vez, Geertz). Mas não tratarei aqui do trabalho de tradução (e “traição”) do antropólogo em geral. Não tenho espaço e nem fôlego pra isso. Pretendo refletir sobre a “traição” peculiar orquestrada por quem faz trabalho de campo entre os religiosos. O antropólogo da religião, no sentido que aqui temos apresentado, se encontra na posição de traditore das crenças dos fiéis.

Marcelo Camurça (2009), ao tratar do trabalho do antropólogo da religião, apresenta um dilema. O que venho expressando aqui (utilizando-me de alguma licença poética, per favore) como obra de um traditore: tornar relativo aquilo que é vivido como Absoluto pelos crentes. Nós apresentamos os sistemas religiosos que estudamos através de metáforas acadêmicas, geralmente distantes e, algumas vezes até contrárias, à crença dos fiéis em si. Além disso, divulgamos os resultados de nossas pesquisas em congressos, artigos, seminários, etc, aos quais os fiéis, geralmente, não têm acesso. Vou falar de minha própria pesquisa, realizada para o meu trabalho de conclusão de curso, para que você entenda melhor onde estou querendo chegar. Nesta pesquisa (vinculada à pesquisa maior da professora Roberta Campos) intentei compreender porque alguns líderes carismáticos pentecostais eram vistos, nos dizeres nativos, como mais “cheios do poder de Deus”, ou mais “cheios do Espírito Santo” do que outros. E isto em uma tradição onde não se admite (abertamente) tipo algum de estratificação espiritual, já que não há santos protestantes, pois todos são santos. A pergunta básica que me guiou foi: Por que, nesta cultura (a cultura pentecostal cristalizada na Assembléia de Deus) se vê mais transcendência em uns do que em outros? Para isso precisei, primeiro, compreender como os fiéis representavam (entendiam) a dinâmica de imanência da transcendência, ou seja, como se dava entre eles o processo de presentificar, materializar, o transcendente em seus próprios corpos. É nesta busca pela encorporação do transcendente em si mesmo que a identidade do crente pentecostal, assim concluí, é construída. E se concretiza, na prática, à medida que o fiel participa de interações das quais sai percebendo-se, e sendo percebido pelos de sua comunidade, como “cheio do Espírito Santo”. Estas interações formam uma cadeia de circulação verbal, tendo o seu ponto alto no que os fiéis chamam de profecia, e conferem, a quem delas participa e é bem sucedido, o rótulo de “cheio do Espírito Santo”. Há maneiras construídas em meio à comunidade de se avaliar se as pessoas realmente são “cheias do Espírito Santo”. Os que passam neste crivo com distinção são considerados mais cheios do Espírito Santo do que outros. Agora, perceba você que minhas considerações foram postas em termos como “construção da identidade pentecostal”, que advém de “interações sociais” onde o fiel “se percebe” e “é percebido” (veja bem!) como pleno, cheio de transcendência. Não apresentei como resultado de minha pesquisa que os fiéis buscam ansiosamente o seu Deus através de orações, jejuns e louvores e, com isso, recebem a graça de serem preenchidos pelo Espírito Santo com poder. Isto é os que os fiéis acreditam que acontece. Eu me utilizei das categorias aprovadas pela Antropologia, e pela teoria social em geral, para traduzir os resultados de minha pesquisa para o idioma acadêmico. Traduttore, traditore!!

Se você não entende isto como um dilema, meu caro (projeto de) antropólogo, ou acha que tudo isto é “conversa pra boi dormir”, procure qualquer coisa para fazer que não seja a antropologia, porque esta, bambino, fundamenta-se em um preceito filosófico e, ao mesmo tempo, instrumento metodológico, chamado de relativismo, onde todas as culturas são postas em um mesmo patamar valorativo, não se podendo avaliar elementos de uma cultura baseando-se nos valores de outra (geralmente a do pesquisador) que serviria como padrão. A cultura sob escrutínio deve ser analisada em seus próprios termos, bastando a si mesma para definir o que é ou não digno de nota (das nossas notas, no caso).

Mas então: Como resolver este dilema e se livrar da pecha de traditore? Como fugir da aparente inexorabilidade da traição expressa no maledeto ditado italiano?

Respondo com piacere. É por isso que sou um apaixonado pela Antropologia. A ciência que nasceu de uma contradição (o paradoxo da unidade psíquica e biológica do homem em face da vasta diversidade de sua cultura) não foge da parada varrendo as novas contradições que surgem em meio ao seu métier (um termo francês pra descansar deste post tão italiano) pra debaixo do tapete. Todas as ciências dão de cara com suas contradições, mas nós, meu caro, não insistimos em fazer de conta que o elefante não está na sala de estar. O próprio Marcelo Carmuça, que me apresentou tal dilema, propõe um caminho para resolvê-lo e pra isso invoca outros colegas de peso. Rita Segato diz “que é preciso não exorcizar (…) [ou] resolver a diferença” entre o momento da crença/experiência religiosa e sua tradução pelo conhecimento antropológico. Esta diferença deve ser “exibida” no texto etnográfico, onde o ato (do fiel) não seja reduzido ao significado – que nós antropólogos imputamos ao ato (SEGATO, 1992, p. 133). Otávio Velho (1998, p.16) também chega junto e diz que “é preciso reconhecer as diferenças sem exoticizá-las nem congelá-las”. Em suma, invocando o relativismo, um dos vértices do tripé essencialmente antropológico (qual seja: alteridade, cultura e relativismo), deve-se entender que cada idioma, tanto o do fiel quanto o do antropólogo, terá sua validade dentro de seus respectivos campos. Quando expliquei a um dos meus entrevistados que pretendia compreender como o crente pentecostal reconhece que alguém está “cheio do Espírito Santo” ele soltou o seguinte: “Não sei pra que tanto trabalho (perguntas, gravações, transcrições, escreve-escreve) pra uma coisa tão simples. É a unção de Deus e pronto, meu filho. Isso daí (minhas explicações) não serve de muita coisa. Tem que se converter pra saber”. Ao mesmo tempo em que o meu trabalho, para este entrevistado, não vale muita coisa, eu não poderia entregar a mesma conclusão dele aos componentes da banca que avaliaram minha monografia. Mas posso seguir as advertências de Segato e Velho e afirmar que a experiência do nativo é válida e que ele a vive em sua totalidade como verdade. Devo exibi-la, descrevê-la, apresentá-la em minha monografia, não desprezá-la ou pintá-la de um verniz exótico. Ou melhor, a versão do nativo vale mais do que a minha. Já que eu apenas apresento uma tradução em metáforas acadêmicas do que ele vivencia como concretude.

Mas aí, ainda sagaz como só nós estudantes somos, você vai me questionar: Tem certeza que você não fica curioso em saber a Verdade, dar a Última Palavra e Definir, de uma vez por todas, o que Realmente acontece? Você acredita mesmo nisto que os nativos estão falando? Começo a responder pela segunda pergunta. Se eu acredito não importa. O importante é acreditar que eles acreditam. E já estudei o suficiente pra saber que coisas acontecem quando alguém acredita em algo e vive em meio a uma comunidade que também acredita neste algo (Agora corra de novo e leia sobre os conceitos de “eficácia simbólica” e “efervescência coletiva”). Para responder a primeira pergunta só mesmo com poesia. E eu vou de Álvaro de Campos:

“Não, não, isso não!

Tudo menos saber o que é o Mistério!

Superfície do Universo, ó Pálpebras Descidas,

Não vos ergais nunca!

O olhar da Verdade Final não deve poder suportar-se!

Deixai-me viver sem saber nada, e morrer sem ir saber nada!

A razão de haver ser, a razão de haver seres, de haver tudo,

Debe trazer uma loucura maior que os espaços

Entre as almas e entre as estrelas.

Não, não, a verdade não! Deixai-me estas casas e esta gente;

Assim mesmo, sem mais nada, estas casas e esta gente…

Que bafo horrível e frio me toca em olhos fechados?

Não os quero abrir de viver! Ó Verdade, esquece-te de mim!”

E se “estas casas e esta gente” forem os nossos nativos, fico (tranqüilo!) com eles e minhas traduções. Esforçando-me ao máximo, sempre, para não sucumbir de vez como um grande traditore.

Bom início de disciplina para todos nós.

Referências Bibliográficas

CAMURÇA, Marcelo Ayres (2009). “Etnografia em grupos religiosos: relativizar o absoluto.” Tomo, Revista do Núcleo de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais da Universidade Federal de Sergipe. São Cristovão – SE, 11(14): 55-66.

GEERTZ, Clifford (1989). A Interpretação das Culturas. Rio de Janeiro, LTC.

SEGATO, Rita. (1992). “Um Paradoxo do Relativismo: o discurso racional da Antropologia frente ao Sagrado”. Religião e Sociedade, 16(1-2): 115-135.

VELHO, Otávio (1998). “O que a Religião pode fazer pelas Ciências Sociais?”. Religião e Sociedade, 19(1): 09-17.

10 Comentários

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10 Respostas para “O antropólogo como “traditore”: Etnografia, Religião e o dilema de relativizar o Absoluto

  1. Um ótimo post para um ótimo começo de disciplina, prevejo um debate muito interessante no decorrer do curso, mas enfim vamos a minha participação.

    O texto coloca muito bem ideias que me fascinam e me fazem ter interesse pela antropologia, a relação do antropólogo com o universo simbólico que por ele é analisado, bem como a sua característica de “escritor ficcional”, no sentido de esboçar em sua obra uma leitura, uma percepção, uma tradução de uma prática é para mim incrivelmente sensível e bela.

    Agora falando do texto e de nossa aula mais especificamente, sou inclinado a dize que, em minha opinião, no processo da leitura antropológica o que “traímos” é a fé e o que trazemos em nossas narrativas é o conjunto de práticas dos sujeitos da alteridade, que envolvem o arcabouço simbólico envolvidos nas situações sociais que tem como centralidade a crença. Neste sentido, a nossa traição está na ausência da experiência do credo, nunca poderemos, como antropólogos, sentir, pensar e entender como as coisas são para aqueles que de fato são crentes nelas, escrevemos pois uma grande “ficção”, uma leitura, um romance que ao levar os símbolos da alteridade e o seu significado ao universo da antropologia , dotando-os de uma linguagem característica desta, “trai”, mesmo que descreva (ao meu ver), o sentido “original” que molda e é moldado pelo protagonista de uma determinada crença.

    Contudo, creio que no fim o conhecimento, ao menos aquele produzido pelas ciências humanas, obedece, querendo os cientistas ou não, esse perfil, sendo assim, no final das contas não temos pois apenas “ficções” encaradas como verdades? Traições, narrativas, enfim, pensamentos que nos ajudam a entender o que somos, o que eles são e o que o mundo é para nós mesmo e para eles?

  2. Mônica Pedrosa

    Oi gente, acabo de ler o texto de Cleonardo e o comentário de Álvaro.
    Adorei essa ideia do blog e acho que nossos diálogos irão trazer ótimas reflexões.
    O texto de Cleonardo trás assunto pra todo o semestre.
    Quando li, um questionamento me veio em mente:
    Como relativizar algo que para algumas culturas não pode ser relativizado? Como relativizar aquilo que é absoluto e além das esferas relativas?
    Cleonardo diz: “A cultura sob escrutínio deve ser analisada em seus próprios termos, bastando a si mesma para definir o que é ou não digno de nota (das nossas notas, no caso).”
    Então tratando de uma cultura que abarca a ideia de absoluto, que considera o além-matéria como algo indissociável a sua cosmologia, como ela pode ser analisada, apreendida, por olhares que relativizam isso tudo?
    Tenho a sensação de que nós precisamos nos aproximar do outro de alguma forma, para tornar nossos estudos além de ficções. Talvez acreditar que alguém acredita não seja suficiente. Em que medida está nosso esforço de entender o significado do Espirito Santo? Da reencarnação? De uma mágica? De uma cura espiritual? Sabemos de fato o que é o Espírito? Santo? Uma União Crística? Uma fusão em Deus?
    Penso que religião não se discute, mas se compreende. E quero dizer que não é uma questão de acreditar (apesar de não saber até que ponto podemos chegar sem acreditar). Mas há uma condição de cientista social, ou de antropólogo, que já vem sendo desenvolvida há anos e acredito podermos aprimorar a cada dia; o esforço de compreender o outro. Dependendo disso, estudos maravilhosos podem ter seguimento, como já tiveram.
    Talvez seja fundamental também romper um pouco com os limites da linguagem, torná-la mais fluída e permissiva. Religião é algo que para inúmeras culturas não pode ser colocado em formas. Aliás, nada na esfera humana pode ser completamente delimitado, apesar de um grande esforço. A religião talvez seja o exemplo máximo disso.
    Cleonardo falou da eficácia simbólica e da efervecência coletiva, conceitos de grande importância no estudo das religiões. Mas os religiosos podem dizer que o que acontece com eles vai além disso, muito além… Talvez precisemos estreitar nosso diálogo com o nativo, vivenciar de maneira mais próxima sua realidade, para poder de fato compreender seu sistema de símbolos.

  3. Rodrigues

    O texto do autor é um bom ponto de partida para a nossa disciplina, pois traz uma discussão bastante relevante para a Antropologia da Religião. A grande questão que se apresenta é: ” como relativar aquilo que é Absoluto para o nativo?”. Como antropólogos ou sociólogos temos que enfrentar esse problema quando estamos em pesquisa de campo, e aí é preciso ter muita maturidade intelectual (“ou imaginação sociológica”) para compreender um determinado fenômeno religioso, que além de se apresentar nas práticas dos indivíduos, também está em suas subjetividades. No texto “O Gênesis enquanto um mito”, Edmund Leach, nos faz uma alerta. Nesse artigo, o autor faz uma análise antropológica do livro do Gênesis, no sentido de mostrar como o sistema mítico está presente na religião e em outras instituições sociais. Ele destaca que o mito é uma realidade não-racionalizada e que constitui a essência da religião. No entanto, mostra que o antropólogo deve rejeitar a ideia de um transmissor sobrenatural (Deus/deuses). Para tal propósito, o antropólogo deve observar apenas uma variedade de possíveis receptores. Ou seja, o cientista deve observar aquilo que está presente na realidade concreta dos indivíduos, em suas práticas, e não se preocupar com o que está num plano metafísico ou sobrenatural . E é justamente esse último que Kierkegaard diz que não se discute, pois pertence a fé. Nesse sentido, o que nos orienta na pesquisa é justamente as práticas e a concepção que os nativos tem do mundo social (religião) em que estão inseridos. Relativizar o Absoluto é compreendê-lo na lógica do grupo que dá seus significados. Abraço a todos!!!!!

  4. Carlos Eduardo

    Bom, primeiro vou seguir o roteiro do pessoal aí de cima. Também concordo que o blog foi uma boa idéia, pois além de provocar uma discussão vai gravá-la, o que é bom. Entendo que o blog ainda não tenha “engrenado”, mas acho que todos nós esperamos que isso aconteça conforme o tempo for avançando, assim aumentando o debate e a sede por aprender mais e mais sobre esse assunto. Vou responder alguns pontos que eu achei interessantes, por isso meu texto vai estar fragmentado, e não seguindo uma linha lógica.

    Concordo com o fato de que o nosso trabalho se aproxima a de um tradutor, e que, assim, nós não podemos realmente passar o significado verdadeiro das ações. Porém, acho que isso é uma questão normal em uma pesquisa, e cabe a nós admitirmos isso, mostrarmos que não é uma verdade absoluta, e não mascararmos, virando assim para mim um traidor. Não concordo assim com o dito por Álvaro, que a nossa traição estaria na ausência da experiência do credo. Acredito que nem mesmo com um processo de “nativização” do antropólogo isso seja possível. Mesmo passando anos dentro de uma tribo, comunidade, sociedade, vivendo sobre a doutrina de uma religião, ao meu ver ele não terá todas as suas nuances, principalmente pelo fato de ele não ter crescido ali, não ter sido educado na sua infância sobre aqueles pilares. Também cabe a nós, através do nativo e de suas definições, tentar entender cada vez mais o fenômeno de estudo.

    Também acho que o importante não é julgar, por isso, ao meu ver, não é interessante se estudar fé em si, se o fiel acredita ou não…o importante é entendermos como funciona aquela religião para eles, quais impactos ela traz na sua vida social…..

    Respondendo na medida do possível a Mônica, acredito que de certo modo não nos cabe entender o significado do Espirito Santo em si, mas, através das palavras do nativo, entender o significado dado por ele. Talvez sejamos meros escritores de idéias dadas por eles (não caiam em cima de mim, é só uma idéia a se pensar).

    Quanto a discussão ou não da religião: Acredito que religião não se discute em “mesa de bar”, assim como política e futebol, pois sempre acaba naquela de “o meu é melhor que o seu” (entendo que estou generalizando), porém, dentro da Universidade a religião deve ser discutida sim, pois devemos entendê-la, esse é o papel do cientista social, entender o que circunda a sociedade, seja no âmbito político, social ou sobrenatural.

    Enfim, espero não se mal compreendido…

    Mais uma vez, espero que as discussões cresçam cada vez mais!

    Abraços!

  5. Alana Souza

    Como todos assim o fizeram,começo elogiando a iniciativa blog que sei que não será tarefa fácil para aqueles que terão que o administrar.
    Quanto a discussão começo dizendo que sim cleonardo, eu concordo com você, as relações existentes entre os que estão no céu e na terra vão muito além do que qualquer um de nós que nos propomos a entras nesta discussão jamais poderá imaginar. Também concordo que para nós religião se discute, não no sentido de que devemos questionar a veracidade das crenças dos indivíduos, mas no sentido de que como (projetos de) antropólogos nossos esforços são entender o lugar que essas crenças assumem na vida dos indivíduos e são condicionantes nas diversas relações que estabelecem.
    Outro ponto que me chamou atenção no texto de nosso colega foi o uso do ditado italiano e sua comparação com a tarefa que nós aspiramos realizar. Nossa “tradução” não tem a façanha de ser literal, ela não é a verdade absoluta. Mas esse “defeito”, quando reconhecido pelos pesquisadores, no fazer antropológico parece se tornar qualidade. Perceber que não podemos chegar a conclusões finais sobre o nosso objeto é a reafirmar o preceito do relativismo, é reconhecer que nós, como qualquer outro grupo humano, podemos estar certos ou errados, que os preceitos científicos são apenas mais um entre os que aspiram ser a verdade.
    Contudo apesar e por causa desse reconhecimento, continua sendo importante tentar ao máximo minimizar a distância entre o pesquisador e o nativo, tentando fugir do autoritarismo do primeiro sobre este ultimo. Para isso devemos olhar para trás para conhecermos os acertos e erros dos que bravamente escreveram etnografias e trocarmos com nossos colegas experiências. Fazendo isso somos aconselhados por Boas a registrar até os elementos que para nós parecem banais; aprendemos com a Favret-Saada a nos deixar afetar; escutamos a advertência de Roberto Mota para quem um dos grandes erros de muitos trabalhos antropológicos reside no fato de que o pesquisador tentou forçar a realidade estudada a se inserir nas suas hipóteses e teorias; percebemos que já Evans-Pritchard percebia que a individualidade do antropólogo está presente na sua pesquisa.

  6. Nathielly Ribeiro

    Olá Pessoal!

    Começo dizendo que adorei a ideia do blog!
    Creio que este será um ótimo espaço para proveitosas discussões sobre os temas que virão a ser tratados em sala de aula.
    O texto inicial traduz um pouco das minhas inquietações.Cresci no meio de um dilema com relação a religião.As discussões eram tantas, que no calor delas, sempre aparecia alguém com o intuito de “apaziguá-las”, repetindo a frase citada no início do texto: “Religião não se discute!” Suponho que a pessoa que dizia isso, não tinha noção, que estava se desfazendo de um proveitoso debate , que iria esclarecer (ou não!) as dúvidas de cada um.
    Tendo a religião como um sistema cultural , ou simbólico, repleto de significados, cabe a nós , (projetos de) antropólogos, decifrarmos estes significados, de modo a trazê-los à tona, com o intuito de “dar fim à perplexidade que se tem diante do Outro, do diferente.” É isso, e um tanto mais de coisas lindas, que tornam a antropologia apaixonante, e nós, os maiores apaixonados por ela.

  7. Lucas Oliveira

    Achei fantástica a idéia do blog, pois atualiza a discussão acadêmica para os dias de hoje que são dias em que a internet se tornou um meio de debate e disseminação do saber. Acredito no enriquecimento do debate sobre os impactos sociais que a religião produz sobre a vida de um indivíduo. As suas relações sociais, os anseios pessoais reflexos das relações sociais que determinados grupos sociais possuem com o mundo e que são interpretadas dentro de determinado conceito religioso e que possuem uma lógica própria dentro de cada cultura.
    O que é bom lembrar é que religião se discute dentro da academia, porém não se deve esquecer de relativizar em qualquer aspecto acadêmico.
    Colocar-se na perspectiva do outro, buscar entender os mecanismos sociais dentro das religiões e tentar decifrar os seus impactos na sociedade reaviva em nós estudantes, um impulso apaixonante de tentar desvendar o indecifrável buscando uma perspectiva científica e acadêmica ligada às ciências sociais para então lançar um olhar antropológico sobre o tema que circunda qualquer sociedade em qualquer região do mundo que é a religião.

    A antropologia ousa decifrar os impactos da religião sobre as relações sociais e conseqüentemente na sociedade, neste sentido, devemos ampliar o debate sobre os aspectos relevantes dessa utopia humana que visa explicar a origem da sociedade possuindo uma lógica própria em si mesma vislumbrando o desejo de uma sociedade ideal para a convivência entre os seres humanos. Decifrar estes mistérios à luz das ciências sociais é o que nos motiva na caminhada enriquecedora desta disciplina.

  8. Emerson da Silva

    Graça e Paz a todos!

    O texto do blog é bastante interessante e tangencia pontos de extrema relevância na sociedade. Cultura e Religião são dois temas que tem se inserido nas pautas das discursões acadêmicas, e novas abordagens, alcandas através de releituras das principas obras do universo antropológico e religioso, vem sendo apresentadas atualmente. Acredito ser possível discutir cultura e religião sem cairmos no campo do preconceito cultural e religioso. Uma boa discursão, embasada em uma boa análise, trará consigo uma construção (e também desconstrução) de determinados conceitos ainda obscuros que envolvem estas duas temáticas.

    Segundo Geerts, a religião, assim como a cultura, está no campo simbólico, ou seja, os significados religiosos são transmitidos historicamente, incorporado em símbolos, por meio dos quais os homens se comunicam, perpetuam e desenvolvem seus conhecimentos e suas atividades em relação à vida. No que diz respeito a prática da pesquisa do antropólogo, onde este estudioso tentará estudar as inúmeras representações humanas dentro das diferentes culturas existentes, o texto tras a questão do antropólogo como traduttore e traditore (que quer dizer tradutor e traidor) de uma determinada cultura ou religião. O nosso amigo Cleonardo, ao determianar essas duas características para o antropólogo, está se referindo a forma como alguns antropólogos compreendem (traduzem) a cultura e à apresentam (traidores). Ao usar o termo traidor o autor quis se reportar ao fato dos antropólogos examinarem determinada religião, e só considerarem apenas categorias aprovadas pela Antropologia e pela teoria social em geral, descartando outras questões de extrema importância para os fiés. Mas até que ponto essa “traição” cultural, onde os antropólogos relativam o absoluto pode ser considerada correta? Sei que a abordagem do texto não está se referindo a um relativismo cultural em uma ampla pespectiva, mas delimita-se ao tema: religião, todavia ao ler sobre esse relativismo religioso, me veio o seguinte questionamento: “Como não se posicionar frente a uma importante questão, que acredito, deve permear os debates antropológicos: A multilação genital feminina”. Seria correto permanecer neutro em opiniões sobre essa determinada cultura de alguns países do oriente médio que aliena a mulher do seu direito natural de ser humano? Inserindo o mesmo questionamento no conceito religioso, seria certo não se posicionar frente a rituais macabros onde ocorre sacrifícios humanos? Isso não é de forma alguma uma crítica pejorativa a antropologia, mas sim uma dúvida! Corroborando o que nossa amiga Alana Souza falou acredito que a religião em sua totalidade não se discuti (nem cultura também, de uma certa forma!) até porque a religião é composta por outros elementos( a transcedentalidade por exemplo) os quais só se explicam através da fé, entretanto cabe ao antropólogo analisar o lugar que essas crenças assumem na vida dos indivíduos e as diversas relações que estabelecem. Outro ponto interessante do texto é quando o autor toca na questão da veracidade dos fenômenos religiosos. Seria realmente verdade as experiências dos fiés? No que tange a essa questão existe um ramo da teologia cristã chamada apologética que se preocupa em apresentar o cristianismo defendendo a sua veracidade através de argumentos cientifícos e filosóficos. As duas leis da termodinâmica; a lei da biogênese e a lei do caos e do cosmo são alguns pressupostos usados por alguns cristãos para defender sua crença. No mais, a religião, apesar das inúmeras análises já feitas por diversos antropólogos pelo Brasil afora continua sendo um grande mistério. Um bom começo de semana a todos!

  9. Sempre Cleonardo provocando e instigando. Confesso que estava com saudades disso… mais chega de nostalgia cara, vou produzir!
    Como “projeto de antropólogo”, como Cleonardo bem citou e a ABA reforça bem isso, espero que minha contribuição seja proveitosa e instigue o debate.
    Concordando, em parte, com a expressão utilizada “Traduttore, traditore (tradutor, traidor)” para referir-se aos antropólogos, creio que o oficio do antropólogo ( fazendo alusão a RCO) não seria apenas traduzir os símbolos do campo para uma linguagem inteligível ao meio acadêmico, mais também seria “ marcado pelo foco em situações sociais empíricas concretas, e bem delimitadas geograficamente, mais por meio das quais são discutidas questões de maior abrangência, em sintonia com aspectos universais da vida social” (OLIVEIRA, 2007). Caso o antropólogo, não interpretar e traduzir as “ evidencias simbólicas” pode-se dar margem para a interpretação de atos de má fé ou de falta de preparo para ser e estar na profissão.
    Como citado anteriormente, ao menos em minha leitura os “ aspectos universais da vida social” são pontos fulcrais para uma boa discussão, para que se possa observar o ponto de vista do outro sobre questões que nos são tão importantes e inquietantes, estas quais muitas vezes procuramos respostas e não temos o discernimento para chegar a tais por meio de elucubrações solitárias “dentro de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar”. Sendo religião e cultura “aspectos universais da vida social” não vejo problema algum em discutir sobre, desde que a intolerância nem violência (física ou simbólica) faça parte do diálogo.
    Sendo uma sinal agudo do antropólogo o trabalho de campo, onde toma-se contato com os símbolos de outra cultura, é essencial que o mesmo, ao compreender os símbolos do outro (o exótico) traduza-os para uma linguagem inteligível do meio em que esta inserido (o meio acadêmico) e que isso seja feito de forma que não induza nem dê margem a interpretações que sejam distintas do que ocorre no campo. Para que o que falei acima fique mais claro, podemos utilizar um exemplo da piscadela do livro A Interpretação das Culturas. Esta piscadela pode ter vários sentidos, de acordo com as evidencias simbólicas, cabe ao antropólogo, captar o sentido simbólico, (da contração das pálpebras) e traduzir sua representação simbólica para os leitores ou ouvintes.
    Voltando ao ponto da pertinência da discussão da religião (dentro e fora da academia), advogo aqui, que o tema deve ser discutido o mais amplamente possível, pois, só assim, diminuiremos a ausência de conhecimento (eu ia colocar ignorância) que é o substrato do preconceito e intolerância.
    Tomo aqui a licença de usar um exemplo pessoal. Cresci em meio de uma família muito grande, e nesta apareciam muitas divergências no que tange as orientações particulares de cada um. Militares linha dura (da época do regime militar), sindicalistas de outro lado, católicos, protestantes, espiritas (kardecistas), sem religiões, deístas, e atualmente surgiram os primeiros candomblecistas. A palavra mais forte sempre foi a do meu avô, católico e militar reformado. Atualmente com a possibilidade de conversarmos abertamente, foi possível manter um respeito pelo que o “outro” (que nesse caso é de dentro) acreditava e tinha como verdadeiro que orientava a sua vida social. Com isso não estou afirmando que o relativismo absoluto foi possível dentro desse grupo, mais que a partir do momento em que questões delicadas passaram a ser discutidas por sujeitos de orientação tão diversas uma convivência, passou a ser admissível pontos de vistas distintos dos que eram tidos como verdade absoluta. Questões dessa natureza, são para serem discutidas a todo tempo, ainda mais quando inquietam os membros de um grupo.
    Cabe ao antropólogo no exercício da profissão, captar os sentidos do campo, traduzi-los, de forma verdadeira é impossível, mais que chegue o mais próximo possível do que o campo mostra. Sendo ético na profissão, que não traia a confiança dos seus pesquisados e que não tornem-se (em matéria de religião) doutrinadores de culto, formando, como o professor Roberto Motta nos mostrou com bastante clarividência uma “santa aliança” entre pesquisadores e “chefes” (não achei outra palavra melhor) de culto, contribuindo para que algum segmento religioso saia em vantagem no mercado religioso que é tão competitivo.

  10. Rebecca Melo

    Demorei mais finalmente vim comentar! Bom, o post de mais tarde deverá ser meu e do meu grupo, e eu posso, simplesmente, dizer que ler o texto de Cleonardo me deu um impulso gigante! Tanto para postar o nosso texto (nos reconhecendo como “projetos de antropólogos” num início BEMMM início de “carreira”, mas ao mesmo tempo reconhecendo a importância de dividir nossos pensamentos, mesmo que ainda não muito maduros), quanto para encarar esse desafio de estudar Antropologia da Religião. Primeiramente, gostei bastante do post, da abordagem e da linguagem. Mas em especial o assunto me interessou bastante, pois é algo que eu sempre me pego pensando. Tive a oportunidade de acompanhar algumas reuniões com Roberta, e esse foi o meu primeiro contato com Antropologia da Religião. Foi bastante forte e eu tenho me esforçado pra chegar um pouco mais perto do nível de discussões (tanto nas reuniões como também nas aulas da cadeira), mas falando como uma recém-chegada estudante de Ciências Sociais, a questão do ” traduttore, traditore” (mesmo que eu nunca tivesse pensado necessariamente nas expressões italianas) sempre despertou minha curiosidade ao pensar no assunto. Lendo o que Cleonardo escreveu, acho que é bem por aí mesmo… E é ao mesmo tempo uma necessidade (a de levar aos pares os dados levantados) e um risco muito grande. É aí que entra a questão da relativização e o citado “tripé antropológico”. Na minha opinião, o risco ocorre dos dois lados, a famosa linha tênue da alteridade; como Mônica falou, aproximar-se dos nativos talvez seja uma necessidade, e por outro lado, até onde ir?
    Pensando sobre isso reconheço ainda estar engatinhando nos “caminhos antropológicos”, mas apenas reconheço a necessidade de haver uma discussão (e compreensão também, concordando com Mônica), talvez não em uma mesa de bar (como disse Carlos), mas no ambiente acadêmico, feita, ao mesmo tempo, com entusiasmo e com bastante cuidado e calma. Talvez aí (ou não), estejamos preparados (ou não!) para enfrentar o “olhar da Verdade Final”.

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