Durkheim e seu estudo da religião

 

Por Rebecca, Swellington e Raoni sobre a Introdução e o Capítulo Primeiro de “As formas  Elementares  de Vida Religiosa”

No livro “As Formas Elementares de Vida Religiosa”, Émile Durkheim faz um estudo sobre a religião na tentativa de formular uma teoria geral da religião, um modo de entender a natureza desse fenômeno e sua importância para a vida social, até onde a ciência pode demonstrar no entendimento mais abstrato. De início, o autor decide uma forma diferente para o estudo e a análise das religiões: procura iniciar seu estudo a partir da religião mais simples e primitiva. Embora esse caso pareça paradoxal, Durkheim explicita que, se houver uma comparação entre as formas mais elevadas do pensamento religioso com as mais baixas, possivelmente haverá um rebaixamento das primeiras ao nível das segundas, e isso não deve ser feito, pois afirma que “Todas são igualmente religiões, como todos os seres vivos são igualmente vivos, desde os mais simples plastídios até o homem.” Portanto, Durkheim elege o sistema religioso mais primitivo baseado em dois critérios: primeiramente, tal religião deve ser a mais simples possível, e depois, para explica-la não deve ser utilizada nenhum elemento tomado de alguma religião anterior. Essa escolha metodológica é defendida pelo autor, pois, segundo ele, quando se propõe a entender algo, é necessário remontar gradativamente até sua forma mais primitiva e “procurar perceber os caracteres pelos quais ela se define nesse período da sua existência, depois fazer ver como, pouco a pouco, ela se desenvolveu e se tornou complexa, como veio a ser o que é no momento considerado”. Para reforçar essa ideia, Durkheim cita um princípio cartesiano que diz que na cadeia das verdades científicas, o primeiro elo desempenha papel preponderante. Neste ponto seria interessante pensar o que significa relacionar um conceito lógico ou um princípio cartesiano a uma ciência da religião.

Segundo Durkheim “na base de todos os sistemas de crenças e de todos os cultos deve, necessariamente, haver certo numero de representações fundamentais e de atitudes rituais que apesar da diversidade das formas que umas e outras puderam assumir, apresentem, por toda parte, o mesmo, significado objetivo e também, por toda parte, exerçam as mesmas funções”. Com isso, Durkheim defende que existem certos elementos fundamentais que podem ser encontrados em todas as religiões, e que isso constitui o que há de humano na religião. Para explicar isso, usa a metáfora da doença: para compreender e aplicar o tratamento, é necessário que o médico entenda a sua origem, pois com o passar do tempo surgem novos sintomas que podem vir a mascara-la. Portanto, quanto mais próximo do início for a descoberta, mais fácil de diagnosticá-la. Assim também se dá o estudo de um sistema religioso, e mais uma vez, a importância de estudar a religião mais simples, pois os fatos também são mais simples as relações entre eles são “transparentes” e mais fáceis de serem estudadas.

O estudo da religião nos permite também penetrar em áreas que até então eram desconhecidas. Sabe-se que os primeiros sistemas de representações produzidos pelo ser humano eram de origem religiosa, onde a religião tomava parte do que hoje é lugar da ciência e da filosofia. Para poder definir os limites de cada uma, se desenvolveu, não necessariamente para isso, certo número de noções essenciais que dominam a vida intelectual: tempo, espaço, gênero etc. Não se pode tira-las do ser humano, analisando essas categorias percebesse que nasceram da religião.

No livro, mais especificamente na conclusão, Durkheim entende que a religião é algo puramente social. Os ritos, as crenças que se manifestam, são feitas pelas representações coletivas, pois não há o que se conhece por religião sem uma sociedade. Muito do que a sociedade é hoje foi constituído nas suas bases fundamentais pela religião. As manifestações, o casamento, divorcio, assembleias, por exemplo, são de origem religiosa, permitem o que há de mais humano na sociedade.

Como o próprio autor diz no inicio do capítulo 1, antes investigar qual religião é a mais simples e primitiva se faz necessário pontuar o que de fato é religião. Como de costume, Durkheim usa a técnica da eliminação das explicações concorrentes, onde percorre os principais conceitos de religião e os nega, até que, por fim, insere o seu próprio conceito. Para chegar a isso, o autor, vai buscar na analise “etno-historica” o que há de universal na religião. A primeira coisa que o autor pontua é que o conceito de sobrenatural, que comumente ligado à religião, não pode ser considerado como sendo algo característico da mesma, já que é associado ao extraordinário e imprevisto: “as concepções religiosas têm por objeto exprimir e explicar (…) o que elas têm de constante e de regular”. Além disso, o sobrenatural é um conceito estranho a muitas sociedades.

Um segundo ponto pelo qual se tentou por muitas vezes definir religião foi pela ideia de divindade. Mas essa ideia não é algo que se estenda a todas as religiões, um exemplo é o budismo, jainismo e outras religiões da Índia, onde a ideia de Deus ou de um Espirito Superior está ausente. Buda (embora isso varie de acordo com a corrente budista observada) não é um deus, mas sim um homem que por meio das quatro nobres verdades atingiu a salvação pelo nirvana. Esse fragmento do texto ilustra bem essa relação: “Em vez de rezar, no sentido usual da palavra, em vez de voltar para um ser superior e implorar a sua assistência, volta-se sobre si mesmo e medita.”. Com esse exemplo o autor mostra uma grande religião onde a ideia de deus ou divindade está ausente, sendo assim, esses conceitos não serviriam para ilustrar as manifestações religiosas.

Mas como então definir religião? As análises que antecedem a obra de Durkheim olhavam para a religião como algo constituído de um modelo rígido, indivisível. Quando, na verdade, é um todo formado por partes: “um sistema mais ou menos complexo de mitos, dogmas, ritos, cerimônias”. Logo, de um ponto de vista metodológico, o que se deve procurar são os fenômenos elementares de que é formada a religião. O autor acredita que os fenômenos religiosos se ordenam sob duas categorias fundamentais: as crenças e os ritos. “As primeiras são estados da opinião, consistem em representações; os segundos são modos de ação determinados”.

Outro aspecto super importante, citado por Durkheim, é que todas as religiões conhecidas até então fazem uma classificação a partir da dualidade entre “sagrado” e “profano” (sendo esse um dos pontos principais que há para na definição durkheimiana do que é religião). O culto ao sagrado, tendo em vista que na concepção de Durkheim, qualquer coisa pode ser sagrada. “Mas o aspecto característico do fenômeno religioso é o fato de que ele pressupõe uma divisão bipartida do universo conhecido e conhecível em dos gêneros que compreendem tudo o que existe, mas que se excluem”. Os ritos assumem um caráter de intermediários na relação do fiel com o sagrado.

Porém, ainda assim, para o autor essa definição por si só não é completa. Para ele ainda se faz necessário distinguir o fenômeno religioso da magia. A principal diferença entre esses dois fenômenos é que um é individual (a magia) e o outro e eminentemente coletivo (a religião). Na religião há encontros regulares que tem como função a renovação dos laços entre os membros da “igreja”. Na magia pode ser possível haver tais encontros, mas o mágico não possui fiéis, mais sim clientes que podem não compartilhar das mesmas crenças. Isto, assim como a noção de igreja, está ligado à religião, apontando para o aspecto coletivo deste fenômeno.

Partindo desses pressupostos, chega-se à definição durkheimiana do fenômeno religioso: “Um sistema solidário de crenças seguintes e de praticas relativas a coisas sagradas, ou seja, separadas, proibidas; crenças e práticas que unem a mesma comunidade moral, chamada igreja, todos os que a ela aderem”.

Dada a ‘conclusão’ deste estudo de Durkheim, além das questões levantadas durante o texto, elaboramos uma pergunta que foi bastante discutida por nós do grupo, e achamos interessante trazer para o post com objetivo de incitar o debate: Será que existe uma parte da religião transcendental a ponto de se tornar intangível? Se sim, como então deve se comportar a ciência, não podendo adentrar a totalidade da mesma?

8 Comentários

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8 Respostas para “Durkheim e seu estudo da religião

  1. Quero primeiramente deixar o meu parabéns para o grupo, ótimo texto!

    Agora vamos ao que interessa, o debate propriamente dito. Pois bem, a primeira coisa que gostaria de deixar registrado é como a dualidade proposta por Durkheim é interessante, o sagrado e o profano são dados que ilustram e iluminam diversas questões sobre o assunto da religião permitindo, ao meu ver, uma análise menos preconceituosa sobre o tema, além disso, quero dizer também que acredito na manutenção da utilidade de tal dualidade por um bom tempo.

    Outro ponto que gostaria de levantar sobre o pensamento de Durkheim é a ideia funcional da religião, ou seja, sua capacidade de unir os crentes, como todos se lembram foi levantado na sala a dúvida sobre se a religião ainda cumpre o papel de “cimento”, de ferramenta da união, em minha opinião acredito que sim; contudo, não com enorme extensão, sendo assim ela não une toda a sociedade, mas une aqueles que estão mergulhados nela, fortalecendo os laços e a solidariedade que estes apresentam uns com os outros. Assim, essa união restrita acaba por materializar o que acabamos colocando na sala de aula como concorrência e conflito entre religiões.

    Para acabar vou dar minha opinião sobre a questão que o grupo trouxe. Como falei no primeiro post do blog, acredito que aquilo que a ciência não alcança é a transcendentalidade da fé, não há, em minha humilde opinião, possibilidade da ciência alcançá-la, eu pergunto como apreender a fé cristã e sua transcendentalidade, se esta fala que “a fé é dom de Deus”, o que só nos permite tê-la por intermédio de uma relação com ele? Ou como seguir e alcançar a transcendentalidade budista, através do caminho do meio e das quatro verdades, se por ventura eu não mergulhar( leia-se aqui crer, ter fé, refletir questionar, contudo não deixar de acreditar como verdade) em todo o corpo constitutivo de tal religiosidade?

    O papel da ciência é permitir uma descrição densa das práticas e dos significados de determinado fenômeno de maneira concreta, aquilo que foge dessa concretude não é o seu papel, estudar a transcendentalidade de uma determinada religião como verdade universal e não como dado cultural é papel da teologia, não da antropologia e das ciências sociais.

  2. Carlos Eduardo

    Bom texto, conseguiu sintetizar as partes importantes discursadas por Durkheim.

    Antes de partir para o tema religião em si, gostaria de ressaltar o caráter histórico do texto e, de certo modo, a sua importância, porém não irei me prender a isso, será uma breve consideração. Acho muito interessante lermos o texto por podermos ver nele uma tentativa de afirmação das Ciências Sociais, dentro de uma época em que ela ainda era “fraca” e precisava ser testada, teorias precisavam ser postas em prática e limites precisavam ser estabelecidos. Era necessário saber o que pertencia à Psicologia, à História…

    Sobre o debate em sala, assim como Álvaro, também acredito que a religião ainda possua a característica de agregadora, mas, dentro de seu grupo, onde junta as famílias, as comunidades em torno de uma igreja. Podemos ver, por exemplo, o caso de muitas igrejas neo-pentecostais localizadas em regiões de baixa renda, como mostra Janine Targino em seu texto A liderança carismática exercida pelas novas líderes pentecostais de Nova Iguaçu: um diálogo com Charles Lindholm, onde a pastora é muitas vezes tida como a mediadora de conflitos, pacificadora, agregadora, então.

    Sobre o questionamento do grupo, acredito que sim, há uma parte da religião que seja intangível, que a ciência não pode, nem deve tentar, alcançá-la. Como dito no post inaugural, a ciência tem que saber os seus limites, nem tudo pode ser discutido, a fé, a meu ver, é uma dessas coisas. Fé não se mensura, cientificamente falando. Porém, isso não é um demérito da ciência, ao contrário, a meu ver se transforma em um mérito a partir do momento em que ela admite que não é possível, e nem interessante, tentar alcançar tais partes. A ciência não discute se Deus existe ou não, mas que implicações ele traz para a vida do fiel, o que ele muda nas relações humanas, individuais ou sociais.

    • Rodrigues

      Primeiramente, é importante dizer que o texto está bem montado. Quero começar como uma curiosidade sobre a produção da obra “As formas elementares da vida vida religiosa”, de Émile Durkheim. O livro que se tornou um clássico na sociologia e na antropologia da religião foi publicado em 1912, e neste ano comemora-se o seu centenário. O texto foi todo escrito em gabinete, e não através de trabalho de campo (como alguns pensam). Surgiu depois de uma longa pesquisa em manuais que tratavam sobre a cultura dos aborígenes australianos. O sociólogo francês destaca a importância da religião na sociedade, pois esta tem uma função integrativa, é um cimento social. Nesse sentido, falar de religião, é falar de uma necessidade coletiva; um fenômeno que reune os indivíduos em torno do TOTEM; que faz como que os indivíduos compartilhem valores que são comuns a todo o grupo. Diz Durkheim: “Religião é coisa eminentemente social”, pois está presente na sociedade e é real e verdadeira, sendo esta no final das contas a própria sociedade. A outra discussão do pensador é sobre a ciência, que segundo ele emerge das entranhas da religião, se constituindo como um saber empírico que trabalha com “procedimentos críticos”, e que agora tem o papel de estudar a própria religião.

  3. Mônica Pedrosa

    Parabéns para o grupo, ótimo texto.
    Também gostei muito dos comentários. Especialmente, o de Rodrigues me chamou a atenção por ajudar em minha reflexão sobre o questionamento do grupo, quando ele coloca no final:
    “A outra discussão do pensador é sobre a ciência, que segundo ele emerge das entranhas da religião, se constituindo como um saber empírico que trabalha com “procedimentos críticos”, e que agora tem o papel de estudar a própria religião.”
    Podemos pensar: A religião faz surgir a ciência, a ciência estuda a religião.
    Nesse sentido, penso que essa divisão que fazemos dos saberes é de natureza bastante sutil, difícil de ser realmente delimitada.
    Falando em divisões, lembrei que quando Kant separou o noumeno do fenomeno, ele nos alertou para que tenhamos bastante cuidado em nossos estudos científicos, no sentido de que há uma esfera que vai além da empiria. Portanto, aquilo que consideramos de caráter transcendente nos estudos das religiões, penso que a ciência pode estudar sim, mas não sozinha. Isso porque no ocidente a ciência é somente a apreensão do mundo empírico, mas se pensarmos que para o hinduísmo (religião estudada inclusive por Durkheim) há a Ciência da meditação, ou inúmeras outras ciências que não são constituídas somente pelo empírico, mas também pela intuição (o que eles chamam de canal direto com o sagrado), não poderíamos nem fazer essa dissociação entre as duas esferas.
    Ou seja, separar ciência de religião, ou religiosidade, ou espiritualidade, muitas vezes é algo que se faz somente aqui. Se fossemos cientistas sociais na Asia ou na África, como seria nosso estudo das religiões?

  4. Emerson da Silva

    Graça e Paz pessoal!

    Falar de religião é sem sombra de dúvidas falar do agente transformador dessa sociedade, alguém que mesmo sendo limitado, tem surpreendido pelas “pontes” que criou entre ele e o que parecia impossível de se conectar á alguns séculos atrás. Falar de religião é falar do ser humano, pois segundo Carl Jung (psicólogo analítico com enfoque em religião) das três estruturas psíquicas inatas ao ser humano está a noção de Deus (sendo as outras duas: a noção de leis e de mãe). Como bem ressaltou nosso companheiro de turma Rodrigues a ciência emerge das entranhas da religião. É relevante para corroborara essa afirmação, citar o exemplo do Orfismo da Grécia antiga, que trás um novo esquema de crença e uma nova interpretação da existência humana. Efetivamente, enquanto a concepção grega tradicional, a partir de Homero, considerava o homem como mortal, pondo na morte o fim de toda sua existência, o orfismo proclama a imortalidade da alma e concebe o homem segundo um esquema dualista que contrapõe o corpo e a alma. Trazendo aí, através dessa cisão, um germe da ciência (corpo: perceptível a especulações empíricas e alma: transcendente e intangível). Outro ponto que chama a atenção no texto é a escolha metodológica de Durkheim, onde este defende a ideia de que para se entender algo se faz necessário se reportar as suas origens. A título de exemplo podemos citar o celibato católico, que foi institucionalizado quando a igreja católica passou a perder as suas terras. Durkheim também abordou a questão da divindade nas religiões, e ressaltou a inexistência dessa ideia no budismo. Outro exemplo que se assemelha um pouco a essa ascensão budista independente do auxílio de um deus é o espiritismo. Contrastando uma parcela da cristandade, que crê que só através da aceitação do sacrifício de Cristo na cruz do Calvário se pode chegar ao reino dos céus, a doutrina espírita remete de uma certa forma ao homem esse processo de ascensão. Onde para se elevar espiritualmente pode se fazer necessário reencarnar diversas vezes, e através das obras praticadas em cada encarnação se chegar aos céus. A pergunta colocada em questão pelo grupo é interessante: Será que existe uma parte da religião transcendental a ponto de se tornar intangível? Eu acredito que sim, basta analisar os objetos de culto das religiões e perceber o que os fies testemunham sobre eles.

  5. Lucas Oliveira

    Parabéns ao grupo pelo texto excelente. Gostaria de ressaltar que Émile Durkheim que estudou religião em sociedades menores e que a considerou como uma “coisa social”, ao tomar a religião como objeto de estudo, estabelece que a religião possui uma lógica própria sendo antes de tudo um sistema de crenças e valores. Este fenômeno coletivo que Durkheim sugere confere à religião um sistema de crenças e valores que possuem um caráter sagrado que por sua vez expressam valores morais que se baseiam na coesão social de determinada sociedade.
    Durkheim lança a tese que num ritual religioso os indivíduos afirmam a sua fé na dicotomia entre sagrado e profano, neste sentido, se baseia toda a relação religiosa aplicada pelo fiel que estabelece a religião como uma entidade estabelecendo regras de censura moldando a postura do indivíduo perante a sociedade.

    Lembramos que a religião não cria a sociedade mas a mesma tem a sua história contada pela religião através de seus mitos. A religião que constitui-se pelo conjunto de práticas, crenças e representações que vemos tanto em sociedades primitivas como nas atuais, nisso consiste a abordagem de Durkheim que reflete nestes capítulos abordados expressos no texto supracitado.

  6. Sandro Freitas

    Primeiramente, gostaria de parabenizar o grupo pela bela exposição, ao apresentar de forma clara e concisa as principais ideias presentes no texto de Durkheim. Assim como os colegas, também gostaria de ressaltar a importância e a influência que a percepção da religião como um fenômeno eminentemente social, as noções de dualidade entre o “sagrado” e o “profano”, religião e magia, a noção de cerimônia e ritual, de igreja e, finalmente, a própria definição de religião, propostas por Durkheim, exerceram, e ainda exercem para compreensão nos estudos voltados a religião. Quanto aos questionamentos levantados pelo grupo, também acredito que há dimensões dentro dos estudos sobre a religião que não cabem à ciência a tarefa de se debruçar. Contudo, seus reflexos na organização dos diferentes grupos humanos fazem parte do grupo de fenômenos que devem ser estudados e compreendidos pelas ciências sociais.

  7. Joacy Gomes Ferreira

    As Formas Elementares da Vida Religiosa é sem dúvida o livro primordial para o estudo das religiões, nele Durkheim mostra o primeiro passo em qualquer ciência: definir o objeto de estudo. Entender o que é religião ou pelo menos identificar os elementos que as formam é saber o que se está estudando.

    O primeiro texto trabalhado dá luz àqueles que buscar compreender as religiões. Ajuda desmistificar estigmas, quebra preconceitos e até leva a mostrar que de fato as pessoas não sabem o que é realmente religião, visto que, de forma as vezes etnocêntrica os individuos buscam padrões de suas culturas para identificar o certo e o errado no culto dos seus Deuses ou não Deuses.

    Partindo das primeiras religiões Durkheim busca quebrar a hierarquização das suas formas, desconsiderando melhores ou piores. Há formas mais complexas de religião mas muitas vezes as formas mais simples parecem ser constantemente menos compreendidas.

    Contudo Durkheim reconhece a presença de elementos comuns a “todas” religiões e mostra que também é comum a sua função social. Mesmo com inúmeras disparidades, a finalidade é para Durkheim uma forma de organização social e solidariedade.

    A religião é intangivel. Por mais que a ciência busque reformular explicações as religiosas dos fatos, os religiosos não buscam acreditar de forma normal, mas sim crêr, o que talvez se torne impossivel reconfigurar ideologias construidas a base da fé com dados estatisticos, Haverá sempre uma explicação religiosa e uma cientifica. A ciência deve continuar a construir suas teorias mas não impô-la como verdade, afinal existe uma limitação em ambas as partes, quer uns acreditem e outros não.

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