A arte da magia e o poder da fé

Por Carlos Eduardo, Maria Júlia e Mônica sobre o cáp. V de “Magia, Ciência e Religião”, de Bronislaw Malinowski

Malinowski em A Arte da Magia e o Poder da Fé, capitulo V do livro Magia, Ciência e Religião (1948), disserta principalmente a respeito da magia e sua função na sociedade, passando por sua origem e tradição, até as comparações com a ciência e a religião. Ele se propõe a estudar a magia e a crença na magia “do ponto de vista de um observador sociológico”, por entender que até então isso ainda não havia sido feito. Considerando as perspectivas nativas de magia “o selvagem afirma simplesmente que a magia dá ao homem poder sobre determinadas coisas.” Malinowski, então, pergunta: de onde nasce esse poder? Para ele, em sua posição de observador, não é do natural, nem do sobrenatural, mas do próprio homem. Isso porque, apesar da visão “encantada” da magia em um contexto mais geral, Malinowski encontra em seus estudos empíricos algo bastante prático, objetivo, grosseiro, monótono, e desligado do sobrenatural. Ele vai tentar entender, portanto, qual a função da magia para os grupos humanos que a praticam, através de uma perspectiva bio-psico-social. 

Para o autor a magia surgiria a partir da vontade do homem de superar o que parece impossível. Ao experenciar a impotência e não suportá-la, “obcecado pela ideia do fim almejado”, a paixão e vontade de sair do abismo do mundo das impossibilidades, faz brotar a esperança de alcançar seu objetivo. O processo mágico se origina, portanto, de uma obsessão mental que conduz o homem a uma “atividade substitutiva”, a desenvolver mecanismos que o permitam acessar finalmente seus desejos. Nesse sentido, a fé, o acreditar na prática mágica é o que a torna possível.

A busca pelo fim almejado se dá, portanto através de palavras e gestos, muitas vezes representações mímicas daquilo que se deseja e “deixam antever ao homem os resultados desejados, ou exprimem a sua paixão em gestos incontroláveis, ou irrompem em palavras que dão livre expressão ao desejo e deixam antever seu fim.” P. 83.

Malinowski coloca que a experiência emocional do processo mágico é tão forte que, para o nativo é “como se fosse alguma realização prática e positiva, como se fosse algo efetuado por um poder revelado ao homem”, ou seja, como se fosse “revelação direta de fontes exteriores e sem dúvida impessoais”. No entanto, ele salienta que de acordo com seus estudos, a eficácia da magia e o alívio por ela proporcionado nascem exatamente da força e esperança do homem em alcançar seus objetivos e de suas próprias obsessões mentais e fisiológicas. P. 84.

Ao desafiar os limites da própria existência colaborando com a evolução dos grupos selvagens estudados, a magia seria, portanto, fonte de êxito pessoal e sucesso. Nesse sentido, considerando a importante função da magia nas sociedades selvagens, Malinowski chama a atenção para a genialidade daqueles homens que forneceram para outros membros de sua tribo uma nova execução mágica. Por isso, o papel de destaque do mago nessas sociedades é, para Malinowski, o principal meio de perpetuação das práticas mágicas, pois a partir de cada um deles surgem histórias e mitos fantásticos atrelados a potência de suas práticas, que sustentam para as gerações seguintes a fé nos poderes mágicos.

“O mito é consequência natural da fé humana, porque cada poder deve dar indícios da sua eficácia, deve atuar e saber–se que atua, se se pretende que as pessoas acreditem na sua virtude. Cada crença gera a sua mitologia, pois não existe fé sem milagres, e o principal mito relata simplesmente o primeiro milagre da magia” P. 87.

Para a prática da virtude mágica, portanto, é necessária uma técnica, atrelada a crença nessa técnica. Nesse sentido, Malinowski enfatiza a importância do rito e da fórmula para sua execução. Segundo ele, é na exatidão da execução do rito através da fórmula que constitui o poder do feitiço. Ele chama a atenção para o cenário emocional envolvido nos processos mágicos, vinculado aos gestos e expressões do feiticeiro ou a sua carga emocional interna, neste último caso, independente de expressão. É por isso que técnica e crença, aqui, são indissociáveis. O poder de um feitiço está sempre associado à crença em sua eficácia, no sentido de que sem fé, para Malinowski, não existe magia. Esse poder seria a virtude mágica por excelência e é transmitido para o objeto enfeitiçado em todo ritual mágico. Ele nos trás três elementos associados a sua eficácia: 1) Efeitos fonéticos, imitações e sons naturais: simbolizam fenômenos e exprimem estados emocionais e desejos a serem realizados. 2) Uso de palavras para
invocação do objetivo desejado; para validar o poder de cada feitiço, há uma escolha minuciosa das palavras utilizadas no ato mágico. 3) Alusões mitológicas, ou seja, a tradição da magia.

Este último elemento é visto por Malinowski como o mais valioso na prática mágica, pois é através da referência a antepassados que se fundamenta a crença na existência do poder da magia e o rigor de suas técnicas. Desde o seu início a técnica para a realização de um feitiço nunca pode ser mudada, qualquer diferença no modo de se fazer tal feitiço pode ocasionar erros fatais; como diz o autor, a magia está sobre normas rigorosas e são elas que garantem a sua efetividade, a fórmula deve permanecer inalterada. Malinowski acredita que a magia é uma característica humana, ela está contida no homem e não fora dele, ela nunca foi inventada ou construída, mas sim esteve sempre ao lado do homem como uma ajudante.

A magia não seria exclusivamente humana somente quanto à personificação, mas também é quanto ao conteúdo, ou seja, é referida ao homem e às suas atividades, não está voltada para a natureza em si, mas para a relação do homem com ela e suas atividades convergentes, como a horticultura, por exemplo. A magia seria algo que a natureza não poderia produzir, ou seja, ela não é criada como uma influencia sobre um produto da natureza, mas sim como algo externo a ela e interior ao homem. Ou seja, ela não emanaria do conhecimento sobre a natureza, mas sim do homem, e seria transmitida pela tradição. A força mágica não é, portanto, onipresente e universal para Malinowski, mas sim uma força específica que só pode ser invocada através do rito e seria de possessão exclusivamente humana.

Assim, para o autor, a magia não age independente do homem, e também não está contida nos objetos. Ela não é descoberta, nem aprendida, como são as leis da natureza. É na construção deste argumento que ele se refere ao mana. Malinowski diz que ele não tem nada com a magia, pois, enquanto a magia é localizada apenas no homem e só pode ser utilizada em determinados momentos através de uma performance metódica, o mana, como definiu o Dr. Codrington, seria uma força desprendida de tudo e que pode se manifestar em patricamente qualquer coisa, atuando de várias formas. A magia seria, assim, algo inerente ao homem e o mana uma força maior que possui conexão com a natureza.

Para o autor então, o mana de Codrington seria praticamente o oposto da magia. Sendo assim, o mana não seria a origem da magia, também não estando nela; seria uma concepção muito abstrata e universal para originar a magia. A magia seria o que separa o homem da natureza, consequentemente também do mana, o que para Malinowski constitui a tônica dominante das crenças mágicas, que seria a distinção entre a magia e as forças da natureza e não sobrenaturais do homem.

Em outro momento do texto, Malinowiski faz uma reflexão a cerca das semelhanças e diferenças entre a magia e a ciência. Ele relata que ambas são guiadas por um fim definido relacionado sempre as necessidades humanas, a magia é assim orientada para objetivos práticos, a qual abarca um “sistema de princípios, que dita amaneira de dar forma ao ato para que este resulte plenamente” P. 89; ou seja, tanto a magia quanto a ciência possuem princípios e técnicas específicas que devem ser obedecidas, e dessa maneira possuem semelhanças.

Entretanto, Malinowski chama atenção para o fato de que, como afirmado antes por Sir James Frazer, a magia não pode ser considerada uma pseudociência. A ciência tem por objetivo auxiliar o homem nas suas impossibilidades cotidianas, e tem por base
a observação da natureza e o uso da razão. Já a magia, abarca as experiências emocionais, onde a observação realizada é a de si  Mesmo, e a verdade é desvendada através das emoções e da associação de ideias. Embora possamos dizer que ainda que o saber mágico e o científico busquem auxiliar em aspectos diferentes, é válido salientar que ambos buscam também a verdade, talvez em esferas distintas.

Já no que se refere a magia e a religião Malinowski aponta como ponto em comum entre ambas o fato de serem resultado de tensões emocionais como morte, crises, objetivos importantes, etc. Elas proporcionam uma saída empírica para tais situações, sempre  sugerindo o domínio do sobrenatural, entretanto a partir deste ponto pode-se observar as diferenças entre elas. A religião abarca no sobrenatural “crenças em fantasmas, espíritos, os primitivos presságios da providencia, os guardiões dos mistérios tribais; na magia, a força e a virtude primitivas da magia” P. 90. A magia abarca o sobrenatural através do homem, é nele e por ele que se manifesta, enquanto a religião está além de si mesma, conectando-se a um todo maior. Pode-se pensar tal relação, se levarmos em conta a idéia do autor a respeito do Mana e da Virtude Mágica; para ele a magia não possui mana, ela se estabelece unicamente através do homem. A religião, se olharmos deste ponto de vista, vai além do homem, está ligada a natureza e ao domínio do sobrenatural de uma maneira mais ampla, podendo possuir, assim, o Mana.

Outro ponto de diferenciação, segundo o autor, entre a magia e a religião é o fato de que a primeira não possui um fim em si mesma, ela atende a necessidade da impotência humana. Enquanto a segunda possuiria o seu próprio fim: “religião como um conjunto de atos independentes que constituem por si próprios a realização da sua finalidade” P. 90. Pode-se compreender tais diferenças também ao pensar na magia possuindo um caráter prático, que busca resultados quantitativos, ou seja, visa a solução de determinada situação. Já a religião lida com fatos irremediáveis, não visa, assim, uma mudança; há uma espécie de busca por sentimento de consolo.

Concluindo então o seu pensamento, Malinowski coloca o questionamento a respeito da função cultural da magia. Para ele a magia é o que habilita o homem através dos ritos e crenças a superar o medo através da esperança, de utilizar o otimismo no lugar do Pessimismo, e principalmente, é o que possibilitou ao homem “ter superado como superou as suas dificuldades de ordem prática, Assim, como não teria progredido para estádios de cultura mais avançados” P 93.

Para finalizar o texto trazemos alguns questionamentos para servir de reflexão e debate. Primeiramente, deixamos aqui uma questão a respeito do texto e do autor:
– A magia é mesmo “imutável”, presa a uma tradiçao ou seria apenas uma
abordagem sincronica do autor?

Deixamos também mais uma questão que não diz respeito exatamente ao autor, mas que trabalha com o tema do texto e com um autor já discutido na disciplina:
– Para Durkheim a magia duraria menos que a religião, por ser individual, ou seja, pouco compartilhada, como podemos ver isso hoje?

Por último, colocamos uma questão mais geral:
– É possível pensar a ciência, magia e religião como esferas complementares de apreensão da realidade?

6 Comentários

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6 Respostas para “A arte da magia e o poder da fé

  1. Ótimo texto, bem explicado e de grande fluidez, conseguindo assim, descrever os pontos importantes dos argumentos de Malinowski, inclusive aquele que trata sobre mana e magia,(forças diferentes a primeira abstrata e ligada a todas as coisas e a outra uma “força prática” nascida do âmago do homem através de sua vontade de agir sobre o mundo, “força prática” alimentada pela tradição.) outro ponto positivo foi ligar mana e religião, além disso vale destacar a boa argumentação sobre as definições de magia, religião e ciência.

    Sobre as questões:
    1- A magia é imutável e presa a uma tradição, contudo se levarmos em conta que a prática de uma tradição durante o tempo, no fluxo da historicidade, pode resignificar a tradição, talvez a magia possa mudar, sendo resignificada também. Mas enfim, em minha interpretação do texto de Malinowski ele a coloca como imutável.
    2- Não, a magia não duraria menos do que a religião, elas poderiam coexistir e até se confundirem para um olhar mais desatento em certos aspectos. Atualmente podemos confirmar esta afirmação, pois tanto é perceptível práticas mágicas na religião, quanto magia destituída desta, como foi explicitado nos encontros na sala de aula.
    3- Essa terceira pergunta é bem interessante e difícil de responder. Eu acredito que os três ramos de conhecimento são paralelos. Seus adeptos, quando crentes em mais de uma das esferas, acabam por relaciona-las, tentando conciliar os pontos de vista, sendo assim, é possível pensar numa complementaridade; entretanto, não sem conflito.

  2. Alice Moura

    O texto está ótimo.
    Em relação às questões colocadas:
    1) Malinowski é considerado como autor da corrente estrutural-funcionalista e pretende explicar os fenômenos através da função biopsicológica. Para ele, a técnica utilizada para fazer magia não pode ser mudada, deve ser feita exatamente da mesma forma segundo a tradição. Contudo, do meu ponto de visto, não é isso que acontece realmente, pois todo rito é a atualização de um mito que lhe deu origem. Penso que a tradição está sempre presente e é acedida através dos ritos, que não precisam ser realizados necessariamente da mesma maneira do ‘original’. A memória extrapola o histórico, ela dialoga com outros tempos e espaços. Assim, está sempre sendo (re)inventada e atualizada sem perder sua originalidade.
    2) Durkheim está interessado em entender como a ordem social é produzida e para isso, considera que é quando nos unimos que produzimos a ordem social. As categorias do pensamento (com suas ideias e valores) surgem dessa prática e exercem uma força sobre nós, a pergunta que se faz é: “Como isso acontece? Como essa consciência coletiva pode exercer tal força? e Como acreditar nessa força que nos restringe o comportamento?” Para responder, Durkheim utiliza a religião.
    A religião é considerada um fenômeno coletivo em oposição à magia, que seria uma representação individual. Para Durkheim, não existe religião sem igreja. Contudo, um problema contemporâneo que poderíamos apontar para contrapor essa afirmação é o individualismo religioso. Hoje em dia, houve um aumento no número de pessoas que são crentes e não frequentam a igreja. As pessoas podem pensar que praticam sua religião sozinhas, “sendo verdadeiras consigo mesmo, e não por uma obrigação moral, como antigamente”.
    Por isso, a pergunta sobre a magia durar menos por ser individual não se afirma no mundo atual. Percebemos um crescimento dos atos mágicos, que estão sempre se (re)significando e se atualizando.

    Outra questão que me parece problemática na antropologia é a seguinte separação feita por Malinowski: de um lado, o ritual religioso como fim em si mesmo e do outro, o ritual mágico que não é um fim, mas pretende atingir um fim (boa caça, por exemplo). Podemos pensar nessa distinção hoje em dia?

  3. Emerson da Silva

    Graça e Paz pessoal!
    Parabéns Carlos Eduardo, Maria Júlia e Mônica, o comentários ficou ótimo.
    O comentário inicia-se ressaltando o objetivo do texto de Malinowski: Falar a respeito da magia e sua função na sociedade. Citarei a título de exemplo o significado do nosso famoso “ovo de páscoa”, para alguns dos povos da antiguidade. Nas culturas pagãs, o ovo trazia a idéia de começo de vida. Os povos costumavam presentear os amigos com ovos, desejando-lhes boa sorte. Está pratica, assim como as demais magias hoje sempre tem como resultado alguma impossibilidade humana ( aqui a boa sorte). O texto diz: “O homem empenhado numa série de actividades práticas, encontra o abismo; o caçador que fica sem a sua presa, o navegante que perde ventos favoráveis, o construtor de canoas que tem de trabalhar uma madeira que não sabe se irá aguentar a tensão ou a pessoa saudável que subitamente sente fugirem-lhe as forças. Que é que o homem faz nessas circunstâncias, abstraindo a magia, a crença e o ritual?” O texto nos diz que quando o homem se vê impotente para alguma coisa ele recorre a crença, a magia, como meios para conseguir aquilo que ele estava almejando, sendo esse objeto de culto tanto um ovo como a concepção de um deus. Ele propõe estudar a magia do ponto de vista de um observador sociológico (acredito que como um fato social), e em suas observações percebe algo que foi registrado pelos nossos amigos que comentaram o seu texto: “A busca pelo fim almejado se dá, portanto através de palavras e gestos, muitas vezes representações mímicas daquilo que se deseja”. Malinowski faz o seguinte registro:”O pescador ou o caçador ansioso vê na sua imaginação a presa emaranhada nas redes, o animal atingido pela lança; profere os seus nomes, descreve por palavras as suas visões de magnífica pescaria ou caçada, esboça mesmos gestos de representação mímica daquilo que deseja”. Os praticantes praticam seus ritos com uma certa antevisão dos seus objetivos.
    No que tange as questões:
    1. Acredito que essencialmente a magia é imutável, todavia incorpora novos elementos no decorrer do tempo. O rito de dar ovos entre alguns povos antigos, com finalidades não totalmente diferentes das de hoje, ainda perdura (hoje: ovos de chocolate).
    2. A magia ainda persiste hoje, e está adentrando no meio da religião, dentre tantos fatores propulsores está o individualismo, como bem citou nossa amiga Alice.
    3. Eu acredito que podemos pensar sim, só que cada uma possui as suas limitações e suas especificidades, se fazendo necessário muitas vezes buscar o conhecimento da realidade através das três.

  4. No texto o autor sita como um dos pontos de diferenciação da magia e religião, o fato da primeira não ser um fim, mas pretende atingir um fim, e a segunda tendo fim em si mesmo. Se assim for, acredito que há espaço no pensamento religioso para a magia, ou esses dois não são tão facilmente dissociáveis, e o ritual da reza como penitencia? Rezam com o intuito de conseguir o perdão divino. No caso do catolicismo há uma preocupação de a oração ser feita segunda a tradição, da forma como foi dada por Deus.

  5. Joacy Gomes Ferreira

    Esse texto de Malinowski é muito bom, o tripé magia ciência e relegião gera diversos questionamentos onde as concepções se chocam frequentemente. O que cito como destaque é o fazer magia, o feitiço como elemento mais importante. Interpretar o feitiço é de extrema importância, não só o desejo em seu fim mas também o sentimento que envolve todo o contexto, se colocar diante do fato. E a técnica, que deve ser obedecida fielmente para que o resultado seja alcançado.
    Sobre as questões: Não sei se é só uma abordagem de Malinowski, mas confesso que gosto da idéia de tradição e conservação dos elementos. Então de tal forma Malinowski está correto, entendendo a fórmula como sendo imutável e que deve permanecer preservada. Por isso também achei muito bom o titulo escolhido pelos autores do blog: A arte da magia e o poder da fé.

  6. Alana Souza

    Gostaria primeiramente de parabenizar ao grupo pelo comentário feito sobre o texto de Malinowski. Creio que o grande destaque que temos que dar aos estudos deste autor sobre a magia também nos auxilia na resposta do ultimo questionamento proposto pelo grupo. Malinowski foi bastante crítico a percepção positivista que colocava magia, religião e ciência como estados progressivos do conhecimento humano. Ao colocar a magia como técnica, este autor ressalta a racionalidade presente nela. Assim, a contribuição deste autor é fundamental para a nossa percepção de que magia, ciência e religião podem coexistir oferecendo, muitas vezes para uma mesma situação, explicações a partir de distintos olhares. É possível que esses olhares possam se complementar para gerar explicações mais completas sobre uma determinada questão. Contudo não podemos acreditar que ao associar magia, ciência e religião chegaremos a uma verdade totalizadora, pois, como já aprendemos, a verdade se apresenta de modo relativo. Como nos aponta o próprio Malinowski, o que estas diferentes instituições fazem é atender aos interesses dos indivíduos.

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