Bruxaria: Pra que serve?

 

Por Alice e Germano sobre “ A noção de bruxaria como explicação de infortúnios”, de Evans-Pritchard

Evans- Pritchard, foi um dos antropólogos ingleses mais importantes da sua geração. Um de seus destaques, além de conseguir aliar de maneira brilhante sua teoria a descrição etnográfica, foi seu esforço hermenêutico (pois o mesmo, na presente obra busca interpretar significados e mostrar como a agencia atribui as causas a seus atos) para compreender o significado das práticas e mostrar a sua pluralidade, o que era inovador na época. O mesmo realizou estudos de campo no Quênia e Sudão.

Seu primeiro livro “ Witchcraft, Oracles and Magic among the Azende” publicado em 1937, foi resultado da sua pesquisa de campo entre os Azande no período de 1926 a 1930.

No segundo capítulo do livro citado, intitulado “ A noção de bruxaria como explicação de infortúnios” Evans-Pritchard analisa a noção de bruxaria presente na sociedade Zande. Ao explicar os fenômenos através da bruxaria, os Azande não ignoram sua causa física ou natural, mas explicam “as condições particulares, em uma cadeia causal, que ligavam um indivíduo a acontecimentos naturais em uma cadeia causal que ligavam um indivíduo a acontecimentos naturais de tal forma que ele sofresse o dano” (p 60). Eles não acreditam que a bruxaria é a única causa dos fenômenos que lhes causam infortúnio, mas que ela põe os homens em relação com eventos que o fazem sofrer danos. Então, no famoso exemplo do celeiro que desmorona, os nativos tem conhecimento de que as traças deterioram a madeira e que ela apodrece após anos de uso (causa física ou natural), mais o que ele pergunta é: por que o celeiro desabou justamente no momento em que alguém estava embaixo dele? A bruxaria servirá de explicação causal desse episódio, é ela que explica o motivo der ter alguém embaixo do celeiro na hora do desabamento, ela explica a má sorte, o infortúnio. Sem a ação do bruxo, o celeiro ao desabar não iria afetar ninguém, se algum sofre algum mal, nesse sentido, foi por conta da bruxaria. Sendo assim, entre os azandes “ a bruxaria explica por que os acontecimentos, são nocivos e não como eles acontecem” (p 63).

Fazendo um transporte e tradução dessa categoria nativa dos Zande para nossa sociedade, o nome da causa que explica o infortúnio entre nós é conhecido como azar, destino, coincidência. Empregamos essas palavras, para explicar o que a ciência não explica. É importante ressaltar que para o autor, a bruxaria não exclui as causas físicas dos fenômenos. Pritchard aponta para um diálogo plausível entre magia e ciência, pois estas não estão essencialmente em contraponto (contrario a visão do cânone evolucionista unilinear). Dessa forma, é claro que uma pessoa pode ter conhecimentos científicos e praticar a magia, pode inclusive como mostrou  Motta em diversos artigos, que alguns cientistas além de praticar a magia, podem tornarem-se administradores dela, formando o que Motta chamou de uma “santa aliança” entre cientistas (filósofos, antropólogos, historiadores, sociólogos etc) e a religião, magia ou até religião magica. Pode-se observar como isso se presentifica em diversas sociedades, quando pessoas que creem na medicina formal (dentro de consultórios, como médicos- doutores o não- formados em universidades) e usam remédios alopáticos, mas ao mesmo tempo recorrerem a benzeduras e chás como práticas de cura.

Voltando ao texto, o que importa na explicação do evento para o Azande é a relevância social, eles “selecionam a causa que é socialmente relevante” (p 63). Ao pensar na causa dos fenômenos, eles distinguem claramente a causalidade mística da causalidade natural. Quando um homem é morto por um elefante, é comum entre os nativos afirmarem que o elefante foi a primeira lança e que a bruxaria foi a segunda lança, foram essas juntas que o mataram. Contudo, é importante ressaltar que nem todos os eventos são explicados pela bruxaria, mas todos o são pela sua relevância social. “… a bruxaria naõ é a única razão a que se atribui um fracasso. Incompetência, preguiça, ignorância podem ser indicados como causa (p 68).

Ao separar alguns eventos como adultério, roubo, mentira, Pritchard afirma que esses não podem ser atribuídos à bruxaria. No entanto, ao dizer que eles não são bruxaria , podemos perguntar se ele não fixou demais tais fenômenos. Poderíamos pensar numa maneira de flexibilizá-los.

Ao mesmo tempo em que a bruxaria explica o infortúnio, ela oferece os meios para combatê-la. Assim a bruxaria é uma forma de controle social. Todos podem ser acusados de bruxaria. Apesar de ela ser passada pela hereditariedade, não se sabe quem é bruxo ou não.

Uma importante contribuição de Pritchard é mostrar que as crenças nativas possuem uma logica coerente, ou seja, a bruxaria é um sistema racional e lógico. “A crença na bruxaria é muito consistente com a responsabilidade humana e com uma apreciação racional da natureza” (p 69)

Um ponto que o texto nos permite discutir e colocar questões pertinentes ao nosso contexto social, é a atribuição que damos a bruxaria na explicação de nossos infortúnios, da atribuição que damos a outras pessoas aos nossos fracassos, e nossos infortúnios, dando o rotulo de bruxos ou feiticeiros, em especial quando se trata de praticantes dos segmentos religiosos com influências  africanas. Sendo a relevância social (sistema de valores) o determinante da bruxaria participar da explicação dos eventos, como então explicar os eventos de bruxaria, numa sociedade como a nossa, tão focada no poder de explicação da ciência e pouco amarrada a explicação teológica dos fenômenos mundanos? Seria questão de falta de conhecimento do outro (nesse caso o membro do culto afro-brasileiro) ou uma persistência do passado em atribuir tudo que é ruim/ maléfico a que vem dos negros?

9 Comentários

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9 Respostas para “Bruxaria: Pra que serve?

  1. Rodrigues

    Ótimo texto! Evans-Pritchard foi com certeza um dos maiores antropólogos de lingua inglesa. Sua produção intelectual se dá numa junção da etnografia e da teoria, o que faz com quê ele tenha se tornado um dos grandes teóricos da antropologia do século XX, pois seu seu cuidado medológico e epistemológico merecem destaque. No texto ” A noção de bruxaria como explicação dos infortúnios”, mostra como entre os zande a bruxaria é uma prática social que dá sentido a realidade e condiciona os indivíduos daquela sociedade a compreender que os infortúnios da vida podem ser resultado da bruxaria. A explicação para a infelicidade e o azar está na bruxaria, pois é assim que se compreende acontecimentos inesperados da vida cotidiana. Quanto a questão colocada: penso que a explicação dos fenômenos humanos não cabe apenas a ciência, mas também a religião, pois a ciência não alcança questões metafísicas “do além”, a religião sim.

  2. Joacy Ferreira

    Texto muito bom, nele é possivel observar o papel social da magia. Pritchard evidencia o quanto significativa é a presença da Bruxaria na vida Zande, o que faz entender que, se é tão importante é evidente que esteja ligada a regras de moral e dinâmica social. Mas o mais interessante é perceber o quanto a magia está presente de uma forma tão natural naquela povo, que aquela causação sobrenatural é explicação de um mecanismo de inúmeros acontecimentos sociais. Parece que a ordem natural das coisas pode ser interferida pela Bruxaria causando assim os infortúnios, contudo ainda parece que a ação da Bruxaria constitui parte dessa ordem natural. O que muitos chamam de coincidência, os Zande atribuem à bruxaria. Sobre a questão é bem difícil dizer, será que apenas os povos negros tinham funções “maléficas” em suas manifestações mágicas? Talvez seja falta de conhecimento do outro.

  3. Evans-Pritchard, com Malinowski, permitiu à antropologia de renovar seu pensamento a respeito da magia e da bruxaria. Assim, como foi dito, essa nao é mais considerada como um estado inferiormente evoluído da ciência, como o ofereciam as tesas evolucionistas, mas é pensada como um sistema racional e logico. E nessa perspectiva funcionalista, a bruxaria é reconhecida como socialmente útil: ela oferece um sistema de explicações causais, permitindo aos indivíduos de um grupo de entender o infortúnio, e de combatê-lo. De fato, ela não é absurda ou ilógica, pois ela se torna real e concreta na sua performancia. Ela tem que ser entendido no seu contexto de elocução, ou seja a antropologia tem que propor uma analise situacional da bruxaria.
    Contudo, além de ter oferecido um abordagem pragmático de compreensão da bruxaria, a obra de Evans-Pritchard permitiu de pensar as interações entre ciências, religião e bruxaria nas sociedades ocidentais, ou seja as de cosmologia principalmente naturalista. Assim, elas podem coexistir: isso chama a pergunta de vosso artigo, ou seja como explicar a existência empírica da bruxaria nas nossas sociedades. Nesse senso, eu acho interessante de fazer a ligação com a obra de Jeanne Favret-Saada, antropóloga francesa quem se inscreve na continuidade de Evans-Pritchard (mesmo se ela refutou algumas teorias dele). Assim, ela estudou o fenômeno magico e a bruxaria no campo francês, no “bocage normand”. No seu livro “Les mots, la mort, les sorts” (1977, tradução pessoal em português: As palavras, a morte, as feitiçarias), ela prova que a bruxaria existe ainda hoje na Europa, além do que os antropólogos e as cientistas sociais podiam pensar. Expor a totalidade do trabalho dela seria demais para fazer isso aqui (mesmo se seja apassionante), contudo em algumas palavras, ela apresenta a bruxaria como um sistema total de interpretação do mundo, com seus próprios ritos e linguagem. A bruxaria se torna real, pois ela é acreditada, vivada, produzida e performada pelos indivíduos a través das palavras: “o ato, é o verbo”. Além disso, o seu estudo mostra que hoje em dia, a bruxaria, a ciência, a religião e outros sistemas de representação continuam a coexistir. Por exemplo, se os indivíduos vão aceitar a explicação naturalista da biomedicina de um câncer, eles vão ligá-la com a bruxaria. Assim, sera essa que vai explicar a origem do infortúnio, enquanto a ciência explicara como esta acontecendo, e como a religião sera a explicação da origem da bruxaria. De fato, eu acho que vários sistemas de representação e de explicação do mundo coexistem e interagem numa mesma sociedade, como varias cosmologias coabitam (segundo Descola, 2005): só, uma parece dominante para razoes socio-historicas, mas não exclui outras diferentes.
    Assim, a existência de ações de bruxaria no Brasil pode ter origens dos escravos, dos colonizados mas igualmente dos colonos: eu acho que a bruxaria existe em qualquer sociedade, mas numa forma diferente. A bruxaria poderia ser então um termo genérico para designar sistemas explicativos diferentes, que completam outros sistemas de representação do mundo. E seria a tarefa do antropologo que de entendê-la.
    De toda maneira, que seja pela bruxaria, religião, ciência ou antropologia, os seres humanos precisam de significar e de explicar os fenômenos da vida deles, de qualquer maneira que seja.

    Bibliografia:
    Favret-Saada Jeanne, 1977, Les mots, la mort, les sorts. La sorcellerie dans le Bocage,. Bibliothèque des Sciences humaines, Gallimard, Paris.
    Descola Philippe, 2005, Par-delà nature et culture, Gallimard, Paris.

  4. Alana Souza

    Sei que já foi exposto anteriormente, mas gostaria apenas de endossar o coro ao fato de que foi de grande importância a contribuição de Evans-Pritchard para uma percepção da magia que fugisse dos moldes positivistas. A pesquisa entre os Azande se mostra um profundo relato etnográfico no qual Pritchard tenta expor a percepção dos nativos. Por isso não concordo com a afirmação do texto aqui exposto de que o autor teria determinado em demasiado os eventos que são bruxaria e os que não são. Quando Pritchard diz que fenômenos de ordem moral – adultério, homicídio, mentira – não são atribuídos a bruxaria, esta é uma percepção nativa e, como tal, obedece à moralidade desse povo específico. Assim é importante lembrar que a etnografia e as percepções de um autor sobre o grupo determinado, não são modelos gerais para serem aplicados a outras diversas sociedades, mas podem ser usadas por outros pesquisadores como base para que a execução de uma nova etnografia que acarretará em novas percepções.
    Também acho importante fazer um paralelo entre a percepção e interpretação Zande do mundo e a nossa. Nas palavras do próprio Evans-Pritchard “A crença Zande em bruxaria não contradiz absolutamente o conhecimento empírico de causa e efeito. O mundo dos sentidos é tão real para eles como o é para nós.” Em contraponto, se os Zande explicam pela bruxaria os eventos que este conhecimento empírico de causa e efeito não da conta, nós também possuímos nossos modos de explicação equivalente. Assim, quando a ciência ou mesmo o senso-comum e o lógico não conseguem dar conta de determinadas questões , procuramos na religião a causa do nosso problema, acreditamos que algum “trabalho” foi feito contra nós, ou mesmo, que a “culpa” foi do azar ou do destino. A crença de uma parcela da população brasileira na possibilidade de ser enfeitiçado, de estar possuído por demônios, fica clara quando vemos o crescimento das Igrejas Pentecostais e na quantidade de pessoas que recorrem a elas procurando um ritual que possibilite se livrar destes.

  5. Sandro Freitas

    Antes de mais nada, gostaria de parabenizar o grupo pelo trabalho e destacar a riqueza da discussão e da análise suscitada pelo capítulo discutido. Certamente a principal contribuição deste capítulo do livro Bruxaria, Oráculos e Magia entre os Azande de Evans-Pritchard é demonstar como o sistema de crenças sobre a magia do povo Zande, a princípio tão diferente das nossas noções de ordenamento das coisas, pode se mostrar tão proxímo quando compreendido a partir de suas lógicas internas de funcionamento. Assim como as do povo Zande, nossa sociedade está permeadas por diversas crenças e práticas que buscam dar conta, e até controlar, os fatos, que a princípio, que fogem das ocorrencias normais. Nesse sentido, demonstar a possibilidade, tão bem levantada no capítulo de Evans-Pritchard quanto pelo texto acima, de conciliar no dia-a-dia das pessoas o conhecimento lógico e científico com as crenças mágico-religiosas nos ajuda a ampliar nossas análises, pois ressalta a complexidade inerente construção da explicação do mundo dos diferentes grupos humanos.

  6. Emerson da Silva

    Graça e Paz pessoal!
    Evans-Pritchard, em sua pesquisa com os Azande, analisou a explicação que esse povo dava concernente aos seus infortúnios. No início do texto, temos impressão de que todos os funestos do povo Azande são explicados pela bruxaria. Identificamos também que para eles ela não é nenhum assombro, pois concebem um “embruxado” como nós concebemos uma pessoa doente. Mas no decorrer da leitura percebemos que : ” A atribuição do infortúnio à bruxaria não exclui o que nós chamamos de causas reais, mas superpõe-se a estas, concedendo aos eventos sociais o seu valor moral” . Nem todo fracasso é explicado pela bruxaria. Como bem salientou nossos amigos Alice e Germano, existe uma cadeia causal que liga o indivíduo a acontecimentos naturais, de tal forma que ele sofra o dano. A questão da “quebra do tabu” corrobora o que fora supracitado. Entre os Azandes havia um conjunto de princípios, e quando um deles era quebrado trazia para o seu transgressor as devidas consequências. Um exemplo que se encontra no texto é o fato de uma criança adoecer por seus pais haverem quebrado um determinado tabu: o de ter relações sexuais antes da criança ser desmamada.
    No que tange ao diálogo ente magia e ciência, percebe-se que essas duas linhas de pensamentos não configuram-se como extremos, de tal modo que não seria impossível ao indivíduo praticar a ciência e a magia. Muitos povos praticantes de rituais mágicos utilizavam os conhecimentos científicos para construir suas casas e seus barcos.
    A respeito do questionamento, acredito que determinados infortúnios e Graças (favores imerecíveis) emanam realmente de algo transcendental. Se escutarmos determinados testemunhos não encontraremos, uma explicação racional para determinadas graças e infortúnios que acontecem em nossa sociedade.

    Um bom começo de semana a todos!

  7. Mônica

    Também achei o texto de Evans Pritchard muito rico e importante para reflexão. Acrescentando um ponto ao que já foi dito no post e nos comentários, lembro que para Pritchard há também outras explicações para acontecimentos ruins além da bruxaria: “Mesmo quando não ocorrem infrações à lei ou à moral, a bruxaria não é a única razão a que se atribui um fracasso. Incompetência, preguiça, ignorância podem ser indicadas como causas. Quando uma garota quebra o pote d’água, ou um menino se esquece de fechar a porta do galinheiro à noite, eles serão severamente repreendidos por seus pais pela estupidez que demonstraram.” p 68.
    Ou seja, ele amplia mais ainda as explicações que os Zande atribuem aos acontecimentos da vida, mostrando de fato uma grande complexidade na maneira que essa cultura apreende o mundo.
    Como colocado no texto e nos comentários, não é somente os Zande que explicam a vida partindo de diferentes sistemas e concepções; em algumas culturas há uma unidade maior entre essas explicações e em outras de fato há uma espécie de oposição ou contradição entre sistemas como ciência e magia. Gostei bastante da observação de Marie de que esses diversos sistemas sempre coexistem, mas por vezes um parece dominante em relação aos outros por questões sócio-históricas. Acredito que uma concepção que não considera o sobrenatural ou o além físico está em predomínio no momento atual de nossa sociedade, mas, apesar disso, as pessoas procuram associar as explicações mais empíricas a noções metafísicas para das sentido as suas vidas.
    O fato de que o ser humano é corpo, mente e espírito me faz pensar que atribuir tudo só ao corpo ou só a mente provoca um sentimento de incompreensão que faz com que em qualquer lugar possamos perceber pessoas com uma ânsia em perceber a vida mais como uma totalidade do que como fragmentos desconexos. No entanto, Devido a fortes traumas históricos, principalmente vinculados a igreja católica, a sociedade ocidental de uma maneira geral ainda alimenta em grande medida preconceitos que bloqueiam bastante a capacidade de entender o outro, suas motivações e crenças e ainda a capacidade de aprofundarmos nossos conhecimentos em nós mesmos.

  8. Maria Luíza Albuquerque

    Muito bom o texto. A meu ver, ainda há a resistência em se aceitar certas explicações devido ao preconceito ainda existente em relação aos negros, porém, acho que a questão final exposta pelos autores do texto diz respeito, não só às religiões afro-brasileiras, mas a qualquer religião que vá explicar os fenômenos mundanos de infortúnios e fatalidades, de maneira teológica ou mágica. O problema central que ainda enfrentamos nos dias atuais é ainda essa persistência de se querer separar a ciência da religião. Porém, vemos hoje uma maior aproximação da ciência do conhecimento do divino. Hoje temos cientistas tentando comprovar a existência dos espíritos através da transcomunicação instrumental, os físicos quânticos querendo provar a existência de mundos paralelos, etc. Então conseguimos ver já se formando uma tentativa de união, de certa forma, dos conceitos científicos com os teológicos. Concordo também com o argumento da Alana, pois é muito comum pessoas que dizem não acreditar nesse ou naquele procedimento religioso, chegarem a se submeter a eles em última instancia, por não terem encontrado saída para seus problemas por vias normais. Passando assim a acreditar que seus infortúnios são resultados de bruxaria, engodo, interferência espiritual, entre tantas outras denominações.

  9. Luiz Tagore

    A crença Zande na bruxaria, dotada da capacidade de relativizar quase todos os fatos sociais, em muito se assemelha a algumas práticas na nossa sociedade, mesmo perante o culto ao racionalismo científico, como a atribuição de determinados fatos ao azar, ou, como nomeia a sabedoria popular, ao mau-olhado/ olho gordo.
    Ou seja, mesmo dentro de uma sociedade que macro valoriza as descobertas científicas, a magia exerce um papel importante na construção dos valores e símbolos, e se fazem presentes na ambiguidade de fatos que bailam entre o milagre e a “coincidência espaço-temporal”

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